O jornalismo nos tempos atuais




Sabe qual a pior parte de ser jornalista atualmente? É você ver um monte de gente falando que a imprensa é maldita e por aí vai. Não sei se com os meus colegas de área acontecem isso, mas esse tipo de situação me frusta e mesmo que não esteja exercendo a profissão isso acaba me afetando um pouco. 
Se você não faz parte desse grupo (a de jornalistas), imagina a profissão que você escolheu ser "pisoteada" todos os dias por alguns haters. Imagina as pessoas sentirem um ódio profundo sobre a sua área e então você saberá como isso é frustrante.

Imagina pessoas no grupo do Whatsapp da sua família expelindo o veneno do ódio sobre a sua profissão que sequer esquecem que tem alguém ali formado naquela profissão que eles atacam. Se você se sentiu frustrado, é disso que eu estou falando. 

Se um profissional de jornalismo gritar aos quatro ventos que ele é jornalista, ele corre o risco de ser linchado no meio da rua. Ser jornalista hoje em dia é sinônimo de ódio. O jornalismo virou sinônimo de ódio. Ser jornalista é ir para o campo de batalha e enfrente o inimigo de frente quando ninguém mais quer. E os demais não assumem isso. 

O jornalismo precisa se reinventar e ser transparente. Nada de ficar preso e amarrado numa camisa de força. Nada de culpar apenas um lado. O jornalismo tem que mostrar todos os lados, todos os investigados, todos os envolvidos, absolutamente tudo e todos. O profissional não pode deixar transparecer a sua opinião sobre determinado assunto. Nessas horas sua opinião pessoal tem que ser neutra. 

E no meio dessa imparcialidade toda é que nessas horas que paro para refletir sobre muita coisa. Tem horas que abstraio para não focar muito nisso. Tem horas que reflito sobre a minha escolha. Tem horas que nem sei o que pensar e tem horas que penso em fazer uma transição de carreira para outra área.


6 livros que todo estudante de jornalismo deve ler


Na minha visão, quem pretende começar ou curso de jornalismo ou que esteja cursando deveriam ler os livros listados logo abaixo.

Nenhum livro aqui é dispensável e também existem tantos outros que podem acrescentar conhecimento durante a sua formação, seja ela dentro ou fora da universidade. Mesmo depois de formada, procuro ler livros relacionados da área jornalística.

Vale lembrar que essa é uma lista particular minha e que muitos podem discordar. 


Tempo de reportagem: Histórias que marcaram época no jornalismo brasileiro - Audálio Dantas

Acredito que esse tenha sido o primeiro livro-reportagem que li e acabei gostando do gênero. Em textos inéditos, o autor faz uma reflexão sobre os bastidores da apuração dos fatos e sobre os desafios de transformar vida em texto jornalístico – suas escolhas, seus erros, suas dúvidas.






Hiroshima - John Hersey

Lembro que usei esse livro para fazer uma prova durante a faculdade. Esse livro me marcou muito pela sua narrativa e pelos detalhes, até cheguei a relê-lo. O livro é sobre a bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945.







Bar Bodega - Carlos Dorneles

O autor conta o crime, os envolvidos, a repercussão, um pouco da vida de todos os envolvidos, desde os acusados, seus familiares, as vitimas, dos procuradores, delegados e policiais envolvidos. Ele ainda relata como terminou esse triste episodio sob todos os envolvidos. Este livro-reportagem aborda bem como a hipocrisia mudou a vida de vários jovens por conta de um erro.





Complexo de Clark Kent - Geraldinho Vieira

Se você tem esse complexo, pare agora mesmo antes que você enlouqueça. Você não pode mudar o mundo sozinho saindo por aí como se fosse o Clark Kent/Superman e fazer justiça com as próprias mãos. Esse livro vai te mostrar que você, como jornalista, não deve carregar todos os problemas do mundo e tentar resolve-los sozinho, mas você pode colaborar em ajudar o mundo divulgando a informação não importa em qual mídia você trabalhe. 





Corta Pra Mim - Marcelo Rezende

Com mais de 40 anos de profissão o falecido jornalista famoso pelo seu bordão “Corta pra mim” que deu nome ao livro, narra boas historias durante sua carreira que ao longo dos anos se deu no jornalismo investigativo. Ler cada palavra desse livro é como se você estivesse ouvindo o  Marcelo narrar os fatos.






O Brasil tem cura - Rachel Sheherazade


Esse livro faz uma radiografia do Brasil e os principais problemas que o nosso país ainda passa. A Rachel propõe iniciativas que cada um de nós pode fazer para que sejamos parte da mudança que o país precisa. 

A convergência jornalística


A imprensa amadureceu desde a invenção dos tipos móveis de Gutemberg e viu-se obrigada a evoluir com o advento da tecnologia. As redações jornalísticas tiveram que sofrer uma adaptação quando a divulgação de seu conteúdo que era por meio da mídia impressa e televisiva. Foi preciso fazer uma transição da mídia impressa para as plataformas multimídias.

A convergência dentro do jornalismo exige muito mais do que a simples habilidade em lidar com o texto em si. O jornalista passa a ser multimídia, agindo simultaneamente com vídeo, áudio, fotografia, interatividade, texto e gráficos.

Para o dicionário Michaelis, ser convergente é ter uma direção comum para o mesmo ponto. O que todo veículo de comunicação deseja é atingir o seu público, sendo que este têm se tornado cada vez mais exigente. 
                                                                                                                              
Para Jenkins (2009, p.29), a convergência das mídias pode ser entendida como o “fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam.”

O fato é que as redações de papel estão recheadas de gente que estão trabalhando a todo vapor com a mídia impressa enquanto que em outras áreas lá estão os devidos profissionais tocando o barco. As boas e velhas redações de papel abriram espaço para o digital, estão se tornando cada vez mais atuantes desse mundo virtual onde é possível atingir outros públicos.

Existem profissionais que tem o dom de abraçar o mundo multimídia e diga-se de passagem que a grande maioria opta por aquilo que tem mais afinidade. Vale ressaltar que é difícil sair de uma faculdade de jornalismo sem saber que precisará desempenhar o papel de jornalista multimídia, já que o mercado está cada vez mais enxuto.