Violência contra cães comunitários expõe falhas na lei e revolta o país

Casos recentes de extrema violência contra cães comunitários têm gerado indignação nacional e reacendido o debate sobre a fragilidade da legislação brasileira no combate aos maus-tratos contra animais.

Cachorro Orelha (Foto: Arquivo Pessoal)

Em Santa Catarina, o cachorro comunitário conhecido como Orelha, um SRD cuidado por moradores da região, foi brutalmente espancado por quatro adolescentes de 17 anos. Segundo laudo veterinário, o animal apresentou inchaço grave na cabeça, olho saltado, além de sangramento na boca e no nariz, evidenciando a brutalidade da agressão. O caso mobilizou ativistas, políticos e especialistas em direito animal, que questionam a aplicação de penas brandas mesmo diante de crimes tão graves.

A repercussão foi ainda maior devido ao perfil dos envolvidos: jovens de famílias ricas, em um estado que frequentemente se autodenomina a “elite” do Brasil. Para defensores da causa animal, o episódio escancara que crueldade não está ligada à classe social, mas à impunidade e à falha na responsabilização criminal. “Não se trata de adolescentes inconsequentes, mas de indivíduos plenamente conscientes de seus atos”, afirmam ativistas.


Cachorro Abacate (Foto: Reprodução)

Poucos dias depois, outro caso chocou o país. No Paraná, o cão comunitário Abacate, conhecido e cuidado por moradores do bairro Tocantins, em Toledo, foi atingido por um tiro. O disparo perfurou o intestino do animal. Apesar de ter sido socorrido, Abacate não resistiu aos ferimentos e morreu. A polícia tenta identificar o autor do disparo.

Especialistas alertam que a violência contra animais não pode ser relativizada. Estudos apontam que pessoas capazes de cometer atos extremos contra animais representam risco real à sociedade. A tentativa de minimizar crimes desse tipo com frases como “é só um cachorro” ignora não apenas a vida animal, mas também os sinais de perigo que esses comportamentos revelam.

Para defensores dos direitos dos animais, os casos de Orelha e Abacate não podem ser tratados como episódios isolados. Eles simbolizam um problema estrutural: leis que existem no papel, mas falham na punição efetiva. A pergunta que fica é direta e incômoda: que tipo de futuro está sendo construído quando a crueldade é tolerada e a impunidade vira regra?


Nenhum comentário

Leave a Reply